Dois hospitais das Forças Armadas alegaram ao Tribunal de Contas da União (TCU) que compraram R$ 3,5 milhões em próteses penianas infláveis porque os produtos são mais parecidos com a “ereção fisiológica”. As próteses maleáveis exigiriam do paciente ter que “dobrar o pênis para vestir uma roupa”, segundo as unidades hospitalares. As opções maleáveis têm preços 33 vezes menores e são autorizadas pelo Sistema única de Saúde (SUS) e pela Agência Nacional de Saúde (ANS).

A explicações foram enviadas pelo hospitais militares das áreas de Recife (PE) e de Campos Grande (MS) na última semana e divulgadas neste domingo (29) pelo colunista Guilherme Amado, do portal Metrópoles. A investigação da compra pública foi solicitada ao órgão de fiscalização pelo deputado Elias Vaz (PSB-GO) e pelo senador Jorge Kajuru (Podemos-GO).

No documento assinado pelo diretor do Hospital Militar de Área de Recife, Hailton Antonio Casara Cavalcante, há a explicação de que um paciente, militar ou dependente de um militar, com diabetes e disfunção erétil grave escolhe o modelo mais caro e implantou a prótese inflável em dezembro do ano passado. A compra foi autorizada pela Comissão de Ética do hospital.

“A prótese inflável é a prótese que mantém maior semelhança com a ereção fisiológica, pois há um mecanismo para fazer o pênis ficar ereto e voltar ao seu estado normal”, escreveu no documento, de acordo com colunista.

O diretor afirmou que “as demais próteses penianas”, como as autorizadas pelo SUS, “deixam o pênis em permanente ‘estado de ereção’, tendo o paciente que dobrar o pênis para vestir uma roupa”. “Tal situação pode gerar constrangimento quando o paciente for usar roupas de banho ou quando se aproximar de familiares e/ou amigos, além de outras situações de possível embaraço em aglomerações, tal qual no uso de transportes públicos”, destacou.

Cavalcante acrescentou que o Fundo de Saúde do Exército (Fusex) não proíbe esse tipo de contratação e que “a situação não é apenas de preço, de performance sexual ou estética, diz respeito à vida de um indivíduo em suas manifestações psicológicas e sociais”.

A diretora do Hospital Militar de Área de Campo Grande, coronel Claudia Lima Gusmão Cacho, apresentou justificativa semelhante, de acordo com o Metrópoles, ao alegar que o paciente implantado adquiriu disfunção erétil depois de passar por uma cirurgia de câncer de próstata. A compra também recebeu o aval da Comissão de Ética Médica da unidade hospitalar.

“O contexto extrapola a questão financeira (preço), sexual ou estética, preponderando a qualidade de vida da pessoa no sentido psicológico, social e de autoestima”, afirmou ao TCU.

Elis Vaz e de Jorge Kajuru apontam que o Ministério da Defesa comprou pelo menos 60 próteses infláveis por R$ 3,5 milhões, e 170 maleáveis por R$ 267,5 mil nos últimos dois anos. A prótese maleável custa 3% do que foi desembolsado pelos militares, com preços entre $ 1.535 e R$ 1.700, enquanto as infláveis vão de R$ 50.150 a R$ 60.717.

 

 

Fonte: O Tempo

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