A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) afirmou que, até o momento, a principal hipótese para a queda da aeronave que matou a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas, seria falha humana. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira. A instituição aguarda relatório do Cenipa para descartar falha mecânica.

De acordo com o delegado Ivan Lopes, responsável pela investigação, um piloto que viu o acidente afirmou que avião teria saído do pouso padrão realizado no aeroporto da cidade.

“Um piloto experiente que estava no aeroporto disse que quando viu o avião se aproximando foi pra pista para ver o pouso, ele então reparou que o avião se afastou muito do procedimento padrão do aeroporto de Caratinga. Ele também relatou que, com isso, perdeu contato visual com a aeronave, depois de um tempo viu se aproximando de novo e viu o momento em que se choca com o fio e cai”, conta o delegado.

Outro piloto que decolou de Viçosa, que também pousaria em Caratinga, afirmou ter ouvido via rádio o colega que pilotava o avião da cantora reportando que estava fazendo a manobra conhecida como “perna do vento 02”.

“Nesse procedimento ele faz aproximação pelo Oeste, como indicado no local, voa a favor do vento e depois faz o pouso dentro de um a um minuto e meio, o que não ocorreu”, detalhou.

O agente disse que a ação fora do usual, apesar de não ser tida como obrigatória, teria feito com que a aeronave saísse da área de proteção do aerógrafo e se chocasse contra fiação de torres da Cemig, usadas com para-raio.

Conforme o delegado, as torres não constam no Notam, documento usado em todos os aeroportos para descrever obstáculos dentro da área de pouso, já que elas estavam a 4,6 mil metros da pista e, portanto, fora da área de proteção prevista.

“Quando sai da zona de proteção é por conta e risco dele porque não há informação no Notam. Esse documento está disponível para todos os pilotos. Também é comum que pilotos liguem para profissionais da região para trocar informações sobre os pousos”, ressalta.

O delegado explica ainda que  o choque com a rede elétrica fez com que a fiação se enrolasse no motor esquerdo do avião e, na sequência, com que o equipamento se desprendesse da aeronave. Na sequência, o avião caiu há cerca de 660 metros, na cachoeira de Piedade de Caratinga. Já o motor afetado, caiu 70 metros adiante do curso d’água.

Entenda o acidente com Marília Mendonça

Uma aeronave de pequeno porte caiu em uma cachoeira de Piedade de Caratinga, próximo ao acesso da BR-474, na região do Vale do Rio Doce, por volta das 15h30, do dia 5 de novembro de 2021. Horas depois do acidente, o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou que Marília Mendonça estava entre as vítimas fatais.

Além da morte da cantora, outros dois óbitos foram atestados pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) após queda da aeronave que trazia a artista e outros dois membros da sua equipe para Minas Gerais.

Morreram o produtor da cantora, Henrique Ribeiro, e seu tio Abicieli Silveira Dias Filho – nomes e óbitos também foram atestados pela assessoria da própria artista. O piloto e o copiloto, Geraldo Martins de Medeiros Júnior e Tarciso Pessoa Viana, também não sobreviveram à queda.

O avião com a cantora sertaneja decolou de Goiânia, na tarde de 5 de novembro, com destino a Caratinga, onde Marília teria uma apresentação.

 

 

Fonte: Hoje em Dia

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