Usado no controle de sintomas da doença de Parkinson há décadas, o marca-passo cerebral será testado pela primeira vez no Brasil para obesidade mórbida e depressão. Os estudos serão realizados pela equipe do Centro de Neurociência do Hospital do Coração, em São Paulo. Os testes serão realizados ao longo dos próximos três anos. Nos estudos, pacientes terão implantados um marca-passo cerebral para realizar estímulos elétricos com baixa intensidade.
Em uma fase anterior do estudo, o aparelho foi implantado em porcos. Oito animais tiveram o marca-passo colocado, mas somente quatro o tiveram ligado. As cobaias receberam, então, o dobro da ração usual. O resultado foi curioso: com exceção de um espécime, os porcos comeram todo o alimento, mas aqueles que tinham o aparelho em funcionamento não engordaram.
O estudo indica que o estímulo elétrico acelerou o metabolismo dos animais, que emagreceram sem precisar comer menos.
Etapas
A primeira fase da pesquisa tem previsão para começar em janeiro de 2013. Até agosto, a equipe espera ter implantado o equipamento em seis pacientes com obesidade mórbida.
Esse primeiro momento serve para testar a tolerabilidade do corpo ao marca-passo e seus riscos. Se tudo der certo, os pesquisadores esperam começar a fase dois no ano seguinte, com oito pacientes.
Já para depressão, o estudo irá testar a eficácia dos impulsos elétricos no nervo trigêmeo. Os eletrodos serão colocados sob a pele do paciente, na altura da testa, e conectados ao marca-passo na região infraclavicular.
Estudos preliminares demonstraram alterações do fluxo sanguíneo cerebral, sendo maior o fluxo em áreas ligadas ao humor.

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