Pesquisadores do Instituto Butantan estão desenvolvendo o projeto “Arca das Serpentes”, uma iniciativa voltada à preservação de espécies brasileiras de serpentes ameaçadas de extinção. Inspirada na história da Arca de Noé, a ação tem como objetivo principal garantir a sobrevivência de jararacas endêmicas de ilhas brasileiras.
O projeto busca proteger cinco espécies endêmicas de jararacas que vivem em ilhas do Brasil: a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), a jararaca-de-alcatrazes (Bothrops alcatraz), a jararaca-de-vitória (Bothrops otavioi), a jararaca-dos-franceses (Bothrops sazimai) e a jararaca-da-moela (Bothrops germanoi).
Segundo os pesquisadores, a proposta é criar uma espécie de “população de segurança” em ambiente controlado, prevenindo perdas caso haja danos aos habitats naturais.
Na prática, o projeto envolve a coleta de dados genéticos, metabólicos e reprodutivos das serpentes. Além disso, os animais são reproduzidos em laboratório como parte da estratégia de conservação.
As expedições de campo ocorrem desde 2023 e já resultaram na identificação de 17 novos espécimes, incluindo espécies de difícil localização. A maioria das coletas ocorre no litoral paulista e no Espírito Santo.
Em laboratório, as serpentes são mantidas em ambientes adaptados para reproduzir as condições climáticas de suas ilhas de origem. Os animais são monitorados continuamente, com registro de ciclos reprodutivos e padrões fisiológicos.
Segundo o pesquisador científico do Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantan (LEEv), Daniel Pimenta, os estudos incluem bioanálises que avaliam saúde, bem-estar e genética das espécies, permitindo também analisar a possibilidade de reintrodução futura na natureza.
O projeto já registrou o nascimento de filhotes de duas espécies: a jararaca-dos-franceses e a jararaca-da-moela. Além de ampliar a população, os nascimentos permitem o acompanhamento completo do ciclo reprodutivo das serpentes.
A pesquisadora Selma Almeida Santos, do LEEv, destaca que ilhas são ambientes naturalmente isolados, e qualquer desequilíbrio pode levar espécies à extinção, já que não existem em outros locais do planeta.
Com os resultados positivos, os cientistas pretendem avançar com novas técnicas de reprodução assistida e a criação de bancos de dados genéticos. O objetivo é preservar a diversidade genética das espécies e evitar cruzamentos entre indivíduos aparentados.
O projeto “Arca das Serpentes”, conduzido pelo Instituto Butantan, se consolida como uma estratégia de conservação de espécies raras e ameaçadas, combinando trabalho de campo, pesquisa genética e reprodução em laboratório para garantir a sobrevivência de jararacas exclusivas de ilhas brasileiras.
Com informações do Metrópoles







