Um morador de Poços de Caldas que trabalha como fotógrafo e é ex-militar da Escola de Sargento das Armas (ESA), de Três Corações, está em busca de ajuda para que ele e outros brasileiros possam se juntar à guerra na Ucrânia contra a Rússia. Pelo menos 16 mil voluntários de todo o mundo já chegaram ao Leste Europeu para ajudar a defender o país.

Fábio Junior de Oliveira, de 42 anos, é de Passos, mas trabalha como fotógrafo de casamento em Poços de Caldas. Ele trabalhava com uma confecção de roupas, mas devido à pandemia, precisou paralisar o negócio. Ele diz que o motivo de querer ir para a guerra é a indignação com o que está acontecendo na Ucrânia.

“Nós estamos buscando as informações para como lutar na Ucrânia porque nós acreditamos que isso é o certo. Nós não aceitamos o que aconteceu lá, essa agressão não justificada e se o mundo não der uma resposta a isso, logo ele vai agredir outras nações e isso um dia pode chegar no Brasil”, disse o fotógrafo.

“Essa invasão, esse desrespeito às vidas dos ucranianos afeta o mundo todo e nós, como seres humanos, não aceitamos isso. É um ideal de liberdade, é o que nós acreditamos ser justo”, diz o voluntário.

Ele destacou que já tentou ajuda da embaixada ucraniana no Brasil, mas segundo ele, a resposta foi que informações não podem ser passadas devido à lei brasileira.

“Nós ligamos na embaixada para ter as informações. Eles dizem que não podem nos dar, porque a lei do Brasil não permite essa informação. Já tentei ligar direto para a Legião Internacional na Ucrânia, mas a chamada desvia e vai para uma atendente. Já mandei email para dois consulados, em Chicago e Nova York e estou aguardando resposta”, diz o mineiro.

Grupo de voluntários

Segundo Fábio, ele faz parte de um grupo que se formou há poucos dias pela internet, o “Voluntários Ucrânia”, que tem gente espalhada por todas as regiões do país. O grupo tem hoje 35 integrantes, mas segundo ele, não tem condições de pagar as passagens para chegar até o território ucraniano.

“Não é por dinheiro, nós não temos condições de pagar as passagens, mas estamos indo como voluntários. Posso ir até no compartimento de carga. Temos gente que está em Roraima, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, são vários”, conta o fotógrafo.

Fábio conta que se formou como 3º sargento da Escola de Sargento das Armas (ESA), em 2005, mas ficou pouco tempo como militar e pediu baixa por questões pessoais. Depois disso, chegou a trabalhar nos Estados Unidos e em um navio de cruzeiro na Dinamarca. O voluntário diz que a família não aprova a decisão e que não teme a possibilidade de morrer no conflito, embora saiba que ela existe.

“Quem vai para uma guerra, não vai com a intenção de morrer. Vai com a intenção de lutar por algum ideal. A possibilidade de perder a vida existe, é lógico. Porém, quando você luta pelo que acredita, o medo passa a não existir. Acho que meus ideais valem esse sacrifício!”.

Família não aprova

O fotógrafo contou que não tem filhos, mas tem familiares em Poços de Caldas. Ele diz que a mãe não aprova a decisão.

“Minha mãe não aprova, quase surtou quando eu falei, mas fazer o quê? Ela também quase surtou quando eu fui embora trabalhar nos Estados Unidos, no navio de cruzeiro”, disse, pedindo que os rostos dos familiares fossem borrados na foto.

O fotógrafo diz que se sente preparado para a guerra, mesmo depois de estar tanto tempo distante da carreira militar.

“É uma passagem só de ida. Nós estamos pedindo transporte, uma carona até a fronteira. Não estamos pedindo para fazer um passeio. Estando lá dentro, a gente tem que preparar para o que for enfrentar, seja sair lá com vida, sem uma perna, morto ou preso pela Rússia. Eu tenho consciência que qualquer dessas coisas que estou te falando é uma possibilidade”, concluiu.

Fonte: G1

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