Não é cloroquina nem ivermectina. Um medicamento desenvolvido para o tratamento da Covid-19 deve chegar ao Brasil ainda nesta semana. Trata-se do Regkirona (regdanvimabe, ou também CT-P59), um anticorpo monoclonal que foi autorizado de forma emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde o dia 11 de agosto.
Agora, a Celltrion Healthcare, laboratório farmacêutico sul-coreano, declarou que hospitais particulares já intensificaram as tratativas para aquisição do medicamento. A expectativa é que o anticorpo esteja disponível no Brasil até o fim do mês de setembro, tornando-se um dos principais recursos disponíveis no país para o tratamento da Covid-19.
Segundo o laboratório, cerca de 3.500 ampolas saíram da Coreia do Sul nessa quarta-feira (1º), e chega ao Brasil nesta sexta-feira (3). No total, os trâmites para liberação da entrada do produto no país devem levar, em média, 15 dias. Depois disso, o medicamento já poderá ser comercializado – suficiente para atender cerca de quase 1.200 pacientes, segundo o laboratório.
O que dizem os especialistas
O médico infectologista Carlos Starling explica que os anticorpos são uma opção terapêutica principalmente para as formas iniciais da doença e, em alguns casos, até para pacientes de alto risco.
“Nesse momento em que nós não temos opções terapêuticas, principalmente no princípio da doença, todo medicamento novo, toda estratégia de tratamento nova é uma boa notícia, com certeza. Quanto à aplicabilidade no nosso meio, nós ainda temos que aguardar para ver a política de preços e restrições de uso tanto para pacientes no setor público quanto no privado”, comenta.
A preocupação do estudioso é em relação ao preço que o Regkirona vai chegar no país. “Em geral, esses medicamentos são muito caros. Não sei exatamente o preço que essa droga vai chegar, mas, em geral, são drogas caras e com uso bem específico para alguns pacientes”, acrescenta Starling.
O também infectologistaUnaí Tupinambás reforça a necessidade de maior acessibilidade do medicamento. “É um medicamento injetável que é caro. Ele bloqueia o vírus. É como se fosse um anticorpo que bloqueia a ação do vírus. É considerado um avanço, mas tem que garantir acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Tupinambás ainda defende que outros estudos continuem para que novas soluções sejam encontradas. “Eu vejo como uma boa notícia (a chegada dos medicamentos), mas nós precisamos, na verdade, de um antiviral potente. Começou a gripar, toma esse medicamento. Precisamos de um antiviral que, se possível, pega o coronavírus e a influenza. Então a gente espera que os estudos continuem”, finaliza.
Fonte: Estado de Minas







