A Polícia Federal (PF) investiga dirigentes do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (Iprev) por supostamente ignorarem regras de segurança do próprio órgão ao realizar investimentos de R$ 97 milhões no Banco Master.
Na manhã desta segunda-feira (10), investigadores cumpriram oito mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, os recursos destinados ao pagamento das aposentadorias dos servidores municipais foram aplicados em Letras Financeiras do Banco Master.
A política de investimentos do Iprev para 2023 previa risco zero para esse tipo de aplicação, de acordo com a Polícia Federal. Apesar disso, os gestores teriam aplicado quase 20% de todos os recursos do fundo em uma única instituição financeira.
Ainda conforme a investigação, no período do primeiro grande investimento, de R$ 80 milhões, o Banco Master, então controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, não constava na lista oficial de instituições autorizadas a receber os recursos.
A PF apura duas aplicações realizadas entre 2023 e 2024 e busca esclarecer as circunstâncias relacionadas ao processo de credenciamento, cotação, análise de risco, governança e tomada de decisão que antecederam os investimentos.
A operação também pretende verificar uma possível prática de gestão fraudulenta, sem prejuízo da apuração de outros delitos conexos.
Entre os alvos da operação está Ronnie Reyner Teixeira Mota, ex-presidente do Iprev de Maceió. Segundo a PF, investigadores reuniram elementos que apontam que ele teria adquirido imóveis e veículos com pagamentos em espécie considerados incompatíveis com a renda que recebia.
A investigação também envolve outros dirigentes e integrantes de estruturas técnicas e de governança do instituto.
Alvos da operação
- Ronnie Reyner Teixeira Mota: ex-diretor-presidente do Iprev de Maceió. É investigado por assinar as autorizações dos aportes sob suspeita e por indícios de enriquecimento ilícito, como a compra de imóveis e veículos com dinheiro em espécie.
- Gustavo Antônio Rodrigues de Souza: ex-coordenador-geral de Investimentos do Iprev no período dos fatos. Segundo a PF, atuava no núcleo técnico responsável por instruir os processos e validar as análises de risco antes de encaminhá-las à presidência.
- Renan Foglia Calamia: dirigente e principal interlocutor técnico da consultoria Crédito & Mercado. É suspeito de articular pareceres para favorecer o Banco Master.
- Marília Alexandre de Lima Alves: integrante do núcleo de governança do Iprev e vinculada à Secretaria Municipal da Fazenda. Segundo a PF, era signatária de deliberações relacionadas às operações investigadas.
- Marcelo Brasileiro Santos: participante do Comitê de Investimentos do Iprev, atuando em órgãos de fiscalização e representação dos segurados.
- João Felipe Alves Borges: membro do Conselho de Administração do Iprev e atual secretário municipal de Fazenda de Maceió.
Aportes foram realizados entre 2023 e 2024
Os investimentos investigados foram realizados entre 2023 e 2024, durante a gestão do então prefeito JHC, atualmente candidato ao governo de Alagoas pelo PSDB.
A PF busca esclarecer como ocorreram as etapas que antecederam os aportes, incluindo o credenciamento, a cotação, a análise de risco, os procedimentos de governança e a tomada de decisão.
Iprev afirma colaborar com investigação
Em nota, o Iprev de Maceió afirmou que está colaborando com as investigações, prestando esclarecimentos e fornecendo as informações solicitadas pelas autoridades competentes.
O instituto também declarou que os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis.
Segundo o órgão, o patrimônio do instituto cresceu de aproximadamente R$ 400 milhões, em 2021, para mais de R$ 1,6 bilhão atualmente. O Iprev afirma que esse patrimônio assegura o pagamento de aposentados e pensionistas.
Com informações do Metrópoles







