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Mortandade de peixes no Lago de Furnas preocupa moradores; Semad aponta boas condições da água

Foto: Arquivo pessoal/O TEMPO

A presença de dezenas de peixes mortos às margens do Lago de Furnas, em Boa Esperança, no Sul de Minas, tem preocupado moradores e levantado questionamentos sobre a qualidade da água na região. A ocorrência chegou ao conhecimento da Polícia Militar de Meio Ambiente, que encontrou 72 peixes mortos em dois pontos e registrou um boletim de ocorrência.

Moradores suspeitam que a mortandade possa estar relacionada ao despejo de esgoto no lago. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), porém, informou que, até o momento, não há indícios de alteração da qualidade da água que caracterizem uma emergência ambiental.

Análise aponta boas condições da água

Segundo a Semad, o Núcleo de Emergência Ambiental (NEA) foi comunicado sobre a ocorrência na terça-feira (11), por volta das 12h. As informações encaminhadas ao órgão estadual apontavam que peixes mortos haviam sido observados durante três dias consecutivos, em uma quantidade estimada de aproximadamente 20 animais por dia.

A quantidade encontrada pela Polícia Militar de Meio Ambiente, entretanto, foi superior à estimativa inicialmente informada à Semad. Durante a ocorrência, os militares localizaram 72 peixes mortos em dois pontos da região, e o boletim de ocorrência foi registrado após a comunicação do caso às autoridades.

A Semad informou que o NEA recebeu os resultados de uma análise realizada em oito pontos da lagoa. Conforme o órgão, os resultados foram considerados bons de acordo com os parâmetros de balneabilidade estabelecidos pela Resolução nº 274/2000, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Com base nessas informações, o órgão estadual avaliou que a ocorrência não se enquadrava, naquele momento, como uma emergência ambiental.

Moradores suspeitam de despejo de esgoto

A principal suspeita apresentada pelos moradores é de que os peixes tenham sido afetados por um possível despejo vindo da estação de tratamento de esgoto administrada pelo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), localizada no bairro Jarbas Barbosa.

A moradora de Boa Esperança Claudiane da Costa Veigas, de 42 anos, afirma que já havia feito reclamações sobre a situação e encaminhado vídeos às autoridades. Segundo ela, a preocupação é maior porque o trecho do lago é frequentado por moradores e turistas, principalmente aos fins de semana.

“Não tive nem resposta. O lago aqui é para a gente se divertir. Isso é bem preocupante”, relatou.

Além da presença dos peixes mortos, moradores afirmam sentir mau cheiro na região e temem que a situação possa comprometer o uso do lago para lazer e atividades esportivas. A preocupação envolve principalmente crianças que entram na água e turistas que visitam o município.

Até a publicação da reportagem, a Prefeitura de Boa Esperança e o SAAE não haviam se manifestado sobre o caso.

Semad aponta outra possível causa

A hipótese considerada pela Semad é diferente da suspeita apresentada pelos moradores. Segundo o órgão, a mortandade pode estar relacionada a um pequeno criatório de peixes que teria passado por um processo de inversão térmica, fenômeno que pode ocorrer durante períodos de inverno.

Em ambientes aquáticos, a inversão térmica pode alterar a distribuição da água em diferentes camadas e provocar mudanças nas condições disponíveis para os organismos. De acordo com o NEA, essa possibilidade seria compatível com as características observadas na ocorrência.

A avaliação técnica também levou em consideração o fato de a mortandade estar relacionada a uma única espécie, considerada exótica, e a indivíduos de tamanho semelhante, além das condições da água apontadas pela análise.

Semad não prevê novas vistorias neste momento

A secretaria informou ainda que não recebeu, até o momento, relatos de mortandade de peixes em outros pontos do Lago de Furnas. Diante das informações disponíveis e dos resultados da análise da água, o órgão não considerou necessária uma vistoria presencial.

Também não foram instaurados, até o momento, procedimentos de fiscalização ou investigação ambiental relacionados ao episódio.

A Semad ressaltou, no entanto, que a ausência de investigação neste momento não significa autorização para eventual lançamento irregular. Caso seja identificado um despejo irregular e seja estabelecida responsabilidade pela ocorrência, poderão ser adotadas medidas administrativas previstas na legislação ambiental, incluindo as regras do Decreto Estadual nº 47.383/2018 e outras normas pertinentes.

Situação segue sob acompanhamento

Considerando os resultados apresentados ao NEA, que indicaram boas condições da água, a Semad informou que não há, neste momento, previsão de novas coletas ou vistorias relacionadas à ocorrência.

Enquanto o órgão estadual não identifica indícios de emergência ambiental, moradores seguem apreensivos diante da presença dos peixes mortos, do mau cheiro relatado e dos possíveis impactos sobre o uso do Lago de Furnas para lazer e atividades esportivas.

Com informações do O Tempo