Ciência e Saúde

Novo medicamento para Alzheimer inicial terá custo mínimo de R$ 8 mil por mês no Brasil

Foto: Reprodução/Eisai

A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), vinculada à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), divulgou nesta sexta-feira (17) o preço do lecanemabe, indicado para o tratamento da doença de Alzheimer em estágio inicial e comprometimento cognitivo leve. O medicamento chegará ao mercado brasileiro no final de junho.

O custo mensal do tratamento com o lecanemabe será de R$ 8.108,94, considerando um paciente com peso médio de 70 quilos e aplicações intravenosas a cada 15 dias. Com a incidência de impostos, como a alíquota de 18% aplicada na maioria dos estados, o valor pode chegar a R$ 11.075,62.

Comercializado sob o nome Leqembi, o medicamento é produzido pela farmacêutica japonesa Eisai em parceria com a Biogen.

O lecanemabe é um anticorpo monoclonal que atua sobre a proteína beta-amiloide, substância que se acumula no cérebro de pessoas com Alzheimer anos antes do surgimento dos sintomas e está associada à progressão da doença.

A ação do medicamento tem como alvo as protofibrilas de beta-amiloide, consideradas a forma tóxica da proteína, promovendo a remoção dessas placas e reduzindo a neurotoxicidade.

Segundo especialistas, o remédio não promove a reversão dos sintomas, mas reduz a velocidade de progressão da doença.

De acordo com o neurologista Paulo Caramelli, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estudos de fase 3 indicaram que pacientes tratados por 18 meses apresentaram redução média de 27% na progressão da doença em comparação com aqueles que receberam placebo.

Apesar do resultado, o especialista ressalta que o efeito é considerado moderado. “Em um ano e meio, é como se os pacientes tivessem ganho alguns meses ao longo do tratamento”, explicou.

Entre os possíveis efeitos adversos estão edema e hemorragia cerebral. Pacientes com predisposição genética relacionada à apolipoproteína E4 apresentam maior risco para essas complicações.

No Brasil, a Anvisa não aprovou o uso do medicamento para esse grupo específico. Para os demais pacientes, a taxa de eventos adversos varia entre 5% e 11%.

Antes do início do tratamento, é necessário realizar exames como análise genética e ressonância magnética, além da exclusão de pacientes que utilizam anticoagulantes.

Por se tratar de um anticorpo monoclonal, o lecanemabe deve ser administrado em ambiente hospitalar ou centros de infusão, com acompanhamento médico. A aplicação é intravenosa, duas vezes por mês, na dose de 10 mg por quilo de peso do paciente.

Segundo Rodrigo Nascimento, diretor médico da Eisai no Brasil, o valor do medicamento é definido com base em critérios da CMED, que incluem a inovação, a complexidade tecnológica e comparações com mercados internacionais.

Ele destacou que se trata de uma terapia inovadora, resultado de décadas de pesquisa e desenvolvimento.

Para especialistas, o lecanemabe representa um avanço importante por atuar diretamente em mecanismos biológicos da doença. O neurologista Paulo Caramelli também citou outro medicamento, o donanemabe, aprovado em 2025, como parte de uma nova geração de tratamentos.

A expectativa é que novas terapias mais eficazes e seguras sejam desenvolvidas a partir desses avanços.

A chegada do lecanemabe ao Brasil marca um novo momento no tratamento do Alzheimer em estágio inicial, ao oferecer uma abordagem que desacelera a progressão da doença. No entanto, o alto custo, os critérios de uso e os possíveis efeitos adversos ainda representam desafios para a ampliação do acesso ao medicamento.

Com informações do O Tempo