Economia

Copom se reúne nesta quarta-feira e mercado espera novo corte na taxa Selic para 13,5%

Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realiza nesta quarta-feira (4) sua penúltima reunião do ano para definir os rumos da taxa básica de juros da economia brasileira. Apesar da recente alta do dólar e das pressões inflacionárias, os analistas do mercado financeiro projetam a sexta redução consecutiva da Selic, atualmente em 13,75% ao ano, para 13,5%.

A expectativa consta no boletim Focus, pesquisa semanal divulgada pelo Banco Central com estimativas de instituições financeiras. A decisão do Copom será anunciada no início da noite desta quarta-feira.

A taxa Selic permaneceu em 15% ao ano, seu maior patamar em quase 20 anos, entre junho de 2025 e março deste ano. Agora, com a expectativa de redução para 13,5% nesta reunião, os analistas também revisaram suas projeções para o próximo encontro do Copom.

Diferentemente das pesquisas anteriores, que apontavam para mais um corte em dezembro, o mercado financeiro passou a projetar a manutenção da Selic em 13,5% ao ano no próximo mês.

A reunião desta quarta-feira ocorrerá com o Copom desfalcado de dois integrantes. Os mandatos dos ex-diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, expiraram no fim de 2025. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encaminhou ao Congresso Nacional as indicações dos substitutos.

Na ata da reunião de setembro, o Copom reafirmou a necessidade de cautela na condução da política monetária, diante da pressão da demanda sobre a inflação. O documento, porém, foi divulgado antes dos efeitos da reeleição de Lula sobre o mercado financeiro.

Além da instabilidade cambial, a inflação enfrenta pressões provocadas pelo petróleo e pelo aumento dos gastos públicos. Outro fator de preocupação é o fenômeno El Niño, que pode pressionar os preços dos alimentos nos próximos meses.

Após apresentar uma alta em setembro, a inflação registrou desaceleração em outubro. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), caiu pela metade e ficou em 0,32% no mês passado.

Apesar da redução mensal, o indicador acumulado em 12 meses subiu de 4,5% para 4,62%, permanecendo acima do teto da meta de inflação.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o IPCA cheio de setembro no próximo dia 12.

De acordo com o último boletim Focus, a previsão de inflação para este ano aumentou de 5,19% para 5,22%. A revisão foi influenciada pelo conflito no Oriente Médio e pela recente valorização do dólar.

A projeção representa uma inflação acima do limite máximo da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Atualmente, a meta oficial é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual, permitindo variação entre 1,5% e 4,5%.

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e serve como referência para as demais taxas praticadas no mercado. Ela é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) e representa o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação.

Para manter os juros próximos do patamar definido pelo Copom, o Banco Central realiza diariamente operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos federais.

Quando o Copom aumenta a Selic, o objetivo é conter o consumo e a demanda aquecida, reduzindo as pressões sobre os preços. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, mas também podem dificultar a expansão da atividade econômica.

Além da taxa básica, os bancos consideram outros fatores na definição dos juros cobrados dos consumidores, como o risco de inadimplência, as despesas administrativas e a margem de lucro.

Por outro lado, quando a Selic diminui, a tendência é de que o crédito fique mais barato, favorecendo a produção e o consumo. A medida pode estimular a atividade econômica, embora também reduza o efeito de contenção da inflação exercido pelos juros elevados.

O Comitê de Política Monetária se reúne a cada 45 dias para avaliar o cenário econômico e definir a taxa básica de juros.

Os encontros são realizados em dois dias. Na primeira etapa, os integrantes recebem apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial, além de informações sobre o comportamento do mercado financeiro.

No segundo dia, os membros do Copom, que integram a diretoria do Banco Central, analisam os cenários apresentados e discutem as possibilidades para, então, decidir o percentual da Selic.

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, o Banco Central deve perseguir a meta de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Assim, o limite inferior é de 1,5%, enquanto o superior é de 4,5%.

Diferentemente do sistema anterior, a meta contínua é verificada mensalmente, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Dessa forma, a comparação com a meta e seus limites de tolerância ocorre de maneira contínua, sem ficar restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

Em novembro deste ano, por exemplo, a inflação acumulada desde dezembro de 2025 é comparada com a meta estabelecida. Em dezembro, o procedimento se repete, considerando o acumulado a partir de janeiro do mesmo ano. A cada mês, portanto, o período de apuração se desloca.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado pelo Banco Central no fim de setembro, a autoridade monetária manteve em 5,2% a projeção para o IPCA deste ano.

A estimativa, entretanto, poderá ser revisada caso a valorização do dólar persista e continue pressionando os preços da economia.

A próxima edição do Relatório de Política Monetária, documento que substituiu o antigo Relatório de Inflação, está prevista para o fim de dezembro.

A reunião do Copom ocorre em um cenário de incertezas, marcado pela instabilidade cambial, pelas pressões sobre os preços e pelas expectativas de inflação acima do teto da meta. Mesmo diante desses fatores, o mercado financeiro mantém a expectativa de uma nova redução da Selic, de 13,75% para 13,5% ao ano.

O resultado será divulgado no início da noite desta quarta-feira (4) e deverá indicar os próximos passos da política monetária brasileira, especialmente diante da expectativa de manutenção dos juros no último encontro do ano.

 

Com informações da Agência Brasil