Política

Dino leva ao plenário do STF disputa sobre remoção de posts de Nossa Senhora Aparecida

Foto: Antonio Augusto

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino decidiu nesta segunda-feira (28) levar ao plenário da Corte a discussão sobre a retirada de publicações das redes sociais envolvendo Nossa Senhora Aparecida durante a campanha eleitoral. O julgamento será presencial, mas ainda não há data definida.

Dino submeteu aos demais ministros uma decisão tomada por ele nesse domingo (27), durante a análise de um pedido de extensão apresentado dentro da Reclamação 95.295.

Segundo o ministro, a controvérsia tem relevância suficiente para ser examinada pelo conjunto do STF por envolver temas como liberdade religiosa, liberdade de expressão e os limites de atuação da Justiça Eleitoral.

No despacho, Dino também afirma que a Corte deverá discutir o alcance de decisões individuais tomadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e avaliar se determinações de juízes da propaganda precisam ser submetidas ao plenário da Corte Eleitoral.

Outro ponto destacado pelo ministro é o poder atribuído às plataformas digitais para decidir quais conteúdos permanecem disponíveis e quais são retirados do ar.

Dino afirma que milhares de publicações foram derrubadas e alerta para o risco de “censura em massa”, especialmente diante da proximidade de 12 de outubro, data dedicada por lei a Nossa Senhora Aparecida.

No despacho, o ministro declarou:

“Essa situação é ainda mais grave considerando que 12 de outubro é a data prevista em lei para as homenagens de centenas de milhões de fiéis à Nossa Senhora, o que pode levar à censura em massa, caso persista a insegurança jurídica gerada pela decisão monocrática no âmbito do Egrégio TSE, que delegou largos poderes censórios às empresas de internet.”

De acordo com Dino, a análise pelo plenário permitirá ainda que o STF defina se mantém ou revê sua jurisprudência que admite reclamações constitucionais contra decisões da Justiça Eleitoral.

A decisão foi comunicada pelo ministro ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin.

Apesar da decisão de levar o caso ao plenário, o despacho não indica uma data para a realização do julgamento presencial. A discussão deverá abranger, portanto, os diferentes aspectos apontados por Dino, incluindo liberdade religiosa, liberdade de expressão, atuação da Justiça Eleitoral, decisões individuais no TSE e os poderes das plataformas digitais na retirada de conteúdos.

 

Com informações do O Tempo