O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Flávio Roscoe, nessa sexta-feira (29/08), durante sua visita à Contagem (Região Metropolitana de Belo Horizonte). O encontro foi organizado pela prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), e contou com a presença do deputado federal Reginaldo Lopes (PT), relator da reforma tributária, e de empresários.
Em nome da Fiemg, Roscoe entregou a Lula um documento com medidas emergenciais sugeridas pela indústria mineira para reduzir os impactos da tarifa adicional de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O principal pleito da indústria mineira é a adoção rápida de medidas antidumping.
Aliado do governador Romeu Zema (Novo), Roscoe é um dos nomes cotados para concorrer a vice-governador em 2026, em uma das chapas que será formada por um dos pré-candidatos do campo bolsonarista ao Palácio da Liberdade, entre eles o senador Cleitinho (Republicanos) e o vice-governador Mateus Simões (Novo). A prefeita também é cotada para ser candidata a vice-governadora, mas na chapa do senador Rodrigo Pacheco (PSD), também tido como um dos possíveis candidatos à cadeira de Zema nas eleições de 2026.
O dirigente destacou que, apesar da existência de processos sobre esses casos, a aplicação de medidas provisórias previstas em lei muitas vezes não ocorre, deixando a indústria nacional exposta à concorrência desleal.
“É fundamental que, sempre que houver determinação preliminar confirmando a prática de dumping e o dano à indústria brasileira, os direitos antidumping provisórios sejam aplicados de forma imediata. Trata-se de proteger empresas, investimentos e empregos no Brasil”, afirmou.
De acordo com Roscoe, no caso dos setores têxtil e do aço, por exemplo, apesar de dezenas de investigações ou de medidas em vigor, as importações da China desses produtos aumentaram em 50% em volume no primeiro semestre de 2025 a preços 10% menores.
Além da questão antidumping, o documento entregue ao presidente Lula apresenta um conjunto de medidas adicionais às que já estão sendo estudadas pelo governo federal para reduzir os impactos do tarifaço dos Estados Unidos.
Entre elas, a Fiemg sugere a suspensão de prazos de obrigações ambientais, parcelamento das contas de energia, alterações nas regras trabalhistas e flexibilização tributária.
Segundo Roscoe, a adoção rápida dessas medidas é essencial para evitar danos irreversíveis a setores estratégicos, como o aço e a indústria têxtil, que já registram aumento expressivo de importações a preços artificialmente baixos.
Fonte: Alessandra Melo/Estado de Minas