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Operação Amparo prende 1.170 suspeitos de violência doméstica em Minas Gerais durante agosto

Foto: PCMG / Reprodução

Mais de mil pessoas foram presas suspeitas de violência doméstica e familiar em Minas Gerais durante o mês de agosto. As detenções ocorreram durante a Operação Amparo, deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), com apoio da Polícia Militar. A ofensiva integra as ações de enfrentamento à violência contra a mulher realizadas durante o Agosto Lilás, período de conscientização, prevenção e combate à violência doméstica e familiar.

Apenas na manhã desta sexta-feira (28/8), durante o Dia D da operação, 117 suspeitos foram localizados e presos. Esta foi a quarta edição da Operação Amparo.

Entre os dias 1º e 28 de agosto, a operação contabilizou 1.170 prisões. Desse total, 134 pessoas foram detidas durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão. Outras 158 foram presas por ordens judiciais expedidas para prisão preventiva ou temporária.

A maior parte das detenções ocorreu em flagrante, totalizando 982 prisões.

De acordo com a delegada titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (DEAM), Larissa Mascotte, a operação teve como foco suspeitos envolvidos em casos graves e incidentes.

“Nesse mês de agosto, nós intensificamos as ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Conseguimos identificar os casos mais graves e também os autores com maior reincidência, e fizemos diversas representações perante o Poder Judiciário, visando à prisão e à responsabilização criminal desses autores”, explicou.

Além das prisões, a Polícia Civil formalizou 2.267 pedidos de medidas protetivas durante o período da operação.

A delegada Alessandra Wilke, porém, chamou a atenção para um dado relacionado aos feminicídios consumados: em 85% dos casos, as vítimas não tinham medida protetiva contra o agressor.

“O feminicídio não é o primeiro ato de agressão. Ele é sucessivo e progressivo, sendo o ápice da violência. É muito sério e grave que 85% das nossas vítimas nunca tenham pedido medida protetiva ou manifestado ao Estado que eram vítimas de violência”, afirmou.

Previstas na Lei Maria da Penha, as medidas protetivas de urgência são concedidas pela Justiça para garantir a segurança de mulheres vítimas de violência doméstica. Entre as determinações possíveis estão o afastamento do agressor do lar, a proibição de qualquer contato com a vítima e a restrição de aproximação.

O descumprimento dessas ordens representa uma nova infração e aumenta o risco para mulheres que já buscaram proteção do Estado.

Segundo Alessandra Wilke, romper o ciclo de violência pode ser difícil por diferentes motivos. Entre eles estão questões afetivas, filhos, dependência financeira e dependência psicológica. A delegada também destacou a importância da atuação de pessoas próximas às vítimas.

“Sabemos que é muito difícil romper esse ciclo por questões afetivas, filhos, dependência financeira ou psicológica. Por isso, quem está do lado e sabe da situação precisa agir”, reforçou.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em julho deste ano, apontaram um cenário preocupante sobre os assassinatos de mulheres por razões de gênero.

Minas Gerais foi o segundo estado brasileiro com o maior número absoluto de feminicídios em 2025. Ao longo daquele ano, 177 mulheres foram vítimas desse tipo de crime no estado. Minas ficou atrás apenas de São Paulo, que registrou 270 casos.

No Brasil, os feminicídios alcançaram em 2025 o maior patamar desde o início da série histórica. Foram 1.571 mulheres assassinadas, número 4,4% maior que as 1.504 vítimas registradas em 2024. Em comparação com 2016, quando o país contabilizou 929 casos, o crescimento chega a 69%.

O perfil dos autores reforça a relação entre feminicídio e violência doméstica. Nos casos com autoria identificada em todo o país, 96,4% dos crimes foram praticados por homens.

Em 60,9% das ocorrências, o autor era companheiro da vítima. Em outros 18,9%, tratava-se do ex-companheiro. Os dados evidenciam que a maior parte das mortes ocorre dentro de relações afetivas ou após o rompimento desses relacionamentos.

A quarta edição da Operação Amparo, realizada ao longo de agosto, terminou com 1.170 pessoas presas e 2.267 pedidos de medidas protetivas formalizados pela Polícia Civil.

Principais números:

  • Pessoas presas: 1.170
  • Mandados de busca e apreensão cumpridos: 134
  • Medidas protetivas formalizadas: 2.267

 

Com informações do O Tempo