A pré-candidatura do governador de São Paulo, João Doria, é vista como uma incógnita por uma ala do PSDB de Minas Gerais. Apesar de Doria ter vencido as prévias tucanas, o desempenho em pesquisas eleitorais até então é considerado inviável para cacifá-lo ao Palácio do Planalto.  

O dia 30 de março é projetado como o derradeiro, já que marcará os seis meses antes do pleito. Caso o desempenho permaneça neste patamar, a candidatura é avaliada como inviável.  

Os tucanos evitam, por exemplo, projetar um piso de intenção de votos para que a pré-candidatura se torne, de fato, uma candidatura. “Não é igual matemática, em que dois mais dois são igual a quatro. É uma análise de desempenho”, pontua uma liderança.

Entretanto, um indício positivo seria o crescimento de Doria dentro do próprio colégio eleitoral. Caso o governador cresça em São Paulo, a ascensão será refletida em outros Estados, projetam os tucanos. “Se Doria continuar neste patamar, o partido vai começar a discutir se verdadeiramente ele será ou não será candidato”, acrescenta o tucano.  

A pré-candidatura do ex-ministro de Justiça e Segurança Pública Sergio Moro (Podemos) não é vista como obstáculo à de Doria. Os tucanos argumentam, por exemplo, que, embora Moro tenha um teto mais alto, já o teria atingido. Inclusive, há apostas de que a pré-candidatura do ex-ministro será enfraquecida.  

Por outro lado, o tucanato mineiro não acredita que o governador de São Paulo herdaria o índice de intenções de voto de Moro caso o ex-juiz federal abra mão da empreitada ao Palácio do Planalto. “Não é como fazer um TED ou um Pix político”, descarta um mandatário.  

Competitividade 

Conforme os mineiros, o próprio Doria entende que precisa ser competitivo para o PSDB apoiá-lo. Senão, “será engolido pela ansiedade do partido em ter um projeto político”, afirma outra liderança. “Se ele não conseguir crescer nas pesquisas, naturalmente vai acabar havendo um processo de coligação do PSDB em cada um dos estados do Brasil com outras forças políticas. Simples assim. Não tem muita ciência”, afirma outra liderança.  

Há a observação de que Doria ganhou as prévias para ser pré-candidato; a candidatura será oficial, de fato, quando passar pelo crivo do PSDB em convenção nacional.

Caso Doria nem sequer se viabilize, as lideranças estaduais projetam duas alternativas. A primeira seria embarcar em outra candidatura de centro; já a segunda é o relançamento do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite – o que, inclusive, é visto como improvável.  

Os mineiros endossaram a pré-candidatura de Leite durante as prévias tucanas – um dos principais fiadores da pré-candidatura do governador foi o deputado federal Aécio Neves. “Agora, o que o Doria precisa fazer para se tornar mais viável? Crescer nas pesquisas. Um time sem torcida não costuma ir muito para frente no campeonato, porque a crise interna começa a devorar as possibilidades de alianças”, reforça um político. 

Fonte: O Tempo

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