A humanidade vive procurando a “fonte da juventude”, ao menos alguma substância que seja capaz de reverter os efeitos do envelhecimento. Agora, segundo estudo publicado na revista científica Microbiome, em 29 de abril, a solução pode ser um transplante de fezes.

Como mostra o site de conteúdo médico Medscape, o transplante de microbiota (bactérias) fecal de ratos jovens para animais mais velhos ajudou a reverter os sinais de envelhecimento no intestino, cérebro e olhos. Curiosamente, ao fazerem o transplante oposto, ou seja, dos camundongos idosos para os jovens, foi verificado o envelhecimento das cobaias mais novas.

Segundo o pesquisador Simon Carding, do Instituto Quadram, do Reino Unido, um dos autores do estudo, citado pelo Medscape, os resultados fornecem “evidências tentadoras para o envolvimento direto de micróbios intestinais no envelhecimento e no declínio funcional da função cerebral e da visão e oferece uma solução potencial na forma de terapia de reposição de micróbios intestinais”.

Fonte da juventude?
Os cientistas explicam que, conforme envelhecemos, mudanças na diversidade, composição e função da microbiota intestinal acabam gerando inflamação no organismo, declínio da função dos tecidos e aumento do risco de doenças crônicas relacionadas à idade.

Para entender essa relação, os pesquisadores britânicos realizaram transplantes de fezes entre camundongos jovens e idosos, e vice-versa.

Quando as cobaias mais novas receberam a microbiota envelhecida, mostraram aumento de inflamação no cérebro e na retina, bem como perda de uma proteína essencial para a saúde dos olhos.

Por outro lado, esses efeitos prejudiciais foram revertidos quando a microbiota de camundongos jovens foi transferida para os animais idosos. Além disso, houve enriquecimento das bactérias benéficas nas cobaias mais velhas.

“Nossos dados apoiam a ideia de que a microbiota intestinal quando se altera na velhice contribui para as inflamações intestinal e sistêmica e, portanto, pode contribuir para a o surgimento condução de condições inflamatórias nos órgãos envelhecidos. Entender a atuação do eixo intestino-cérebro no envelhecimento e modificar a composição microbiana para modular as vias imunes e metabólicas, pode, portanto, ser uma via potencial para abordagens terapêuticas de declínio inflamatório e funcional associado à idade”, sugerem os cientistas no artigo publicado recentemente.

Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores ainda estão realizando testes para verificar quanto tempo duram os efeitos benéficos do transplante de fezes jovens, e se isso pode promover benefícios de saúde a longo prazo em indivíduos idosos e melhorar a neurodegeneração associada à idade e a deterioração funcional da retina.

Fonte: Hoje em Dia

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