O setor de agricultura em Minas Gerais está em alerta com a queda de temperatura no Estado, nesta semana, e a possibilidade de ocorrência de geada. Segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), alguns municípios devem registrar temperatura negativa nos próximos dias, favorecendo a formação de geadas. Nessa quarta-feira (18), por exemplo, plantações da zona Rural de Delfim Moreira, no Sul de Minas, ficaram cobertas por gelo. O município registrou mínima de 1,4 grau centígrado.

No início desta semana, a Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais) emitiu um alerta para os produtores, inclusive com dicas de ações preventivas para as lavouras. Segundo a analista da Faemg, Ana Carolina Gomes, as geadas são fenômenos aos quais o setor é muito vulnerável, pois é difícil prever. “Infelizmente é um fenômeno climático que pouco pode se fazer. São efeitos que geralmente ocorrem de forma pontual, porque é uma condicionante ligada a determinados fatores; não é só por causa da queda na temperatura”, afirmou a analista. Segundo ela, além da questão climática, fatores como umidade, altitude e disposição de matérias úmidas no solo interferem no fenômeno.

Entre as lavouras mais vulneráveis a geadas estão o café e a batata, plantações fortes da economia do Sul de Minas, uma das regiões que estão sob o alerta do Inmet.

A cafeicultura foi um dos setores que mais sofreram com geadas no ano passado. Segundo a Federação, cerca de 150 mil hectares de café foram danificados. “A geada impacta principalmente as safras seguintes, no caso do café. Então estamos vivenciando os efeitos da geada do ano passado. E aí vem mais um ano, recorrente, seguido. É muito prejuízo para os produtores”, lamenta Ana Carolina.

Impacto

Agricultora do município de Alfenas, Elvira Alice de Souza Terra esteve entre os produtores que precisaram lidar com impactos das geadas. Ela conta que a chuva também foi outro fenômeno a destruir lavouras no último ano. Apesar do alerta, Elvira tem esperança de que o prejuízo neste ano seja menor. “Segui algumas dicas que aprendi com os problemas de 2021, né? São muitos impactos, muitos altos e baixos, mas seguimos firmes e fortes para produzir para a sociedade”, relatou.

Consumidor final

Especialistas alertam que o impacto da geada na agricultura sempre chega no bolso do consumidor. Aliás, já chegou. É o que afirma a economista Mafalda Valente, professora da Faculdade Promove.

“Na verdade, já está impactando no consumidor final. Porque o alerta de possíveis geadas vem desde a semana passada. E, já na última segunda-feira, os sacolões aumentaram o preço de alguns produtos, como a cenoura e o tomate, prevendo uma quebra de safra, mesmo sem ter certeza de que ela acontecerá. E a tendência é que os produtos fiquem ainda mais caros nos próximos dias”, disse.

Como fica o tempo

A massa de ar polar continua com avanço forte sobre Minas Gerais, contribuindo para uma queda de temperatura. Segundo o Inmet, isso vai favorecer para possível formação de geada, principalmente ao amanhecer.

O fenômeno deve ocorrer no Sul/Sudeste e Triângulo Mineiro. Em Maria da Fé, por exemplo, os termômetros ficarão negativos, registrando -1º grau.

Ainda de acordo com o Instituto, o alerta de temperaturas extremamente baixas é válido para toda a semana, até sexta-feira (20).

 

Fonte: Hoje em Dia

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